A Batalha de Isaque: Entre a Ciência do Protocolo e a Força do Amor

A história de Jaciara Ribeiro dos Santos e seu filho Isaque, de apenas um ano, é um mosaico de contrastes.

A Batalha de Isaque: Entre a Ciência do Protocolo e a Força do Amor

A Batalha de Isaque: Entre a Ciência do Protocolo e a Força do Amor

Por Redação Regionex

 

A história de Jaciara Ribeiro dos Santos e seu filho Isaque, de apenas um ano, é um mosaico de contrastes. De um lado, o conhecimento técnico de uma doula, consultora de amamentação e estudante de enfermagem; do outro, a vulnerabilidade de uma mãe diante de uma sucessão de eventos que mudaram o curso de sua vida.

 

Este artigo não busca a acusação direta a profissionais ou instituições, que não serão ouvidos nesta edição. Nosso objetivo é contar a jornada de uma família e reforçar o quanto os protocolos médicos são fundamentais para a segurança do paciente, além de refletir sobre como a exaustão do sistema de saúde pode impactar destinos.

 

O Embate no Plantão: Quando a Técnica e o Medo se Encontram

A gestação de Jacy foi, em suas próprias palavras, "normal". O conhecimento técnico que ela possui em obstetrícia trazia a segurança de quem conhece o processo. No entanto, após o rompimento da bolsa em sua casa, em Santo Antônio do Sudoeste (PR), iniciou-se uma corrida contra o tempo até Francisco Beltrão.

 

O relato de Jacy aponta para uma divergência crítica no manejo do parto. Segundo as diretrizes de segurança do paciente, o tempo e a forma de intervenção são cruciais para evitar o sofrimento fetal.

 

"O protocolo é de 24 horas após romper a bolsa. O plantonista queria deixar por 48 horas ainda, mas eu queria que a cesariana fosse imediata, meu filho tinha que nascer", relembra Jacy.

 

Diante do impasse, a situação tomou um rumo inesperado. Uma medicação intravenosa foi aplicada sem a devida diluição ou teste de sensibilidade, o que mudou tudo. A sorte, conforme relata Jacy, foi que o evento ocorreu exatamente durante a troca de plantão, momento em que a nova equipe assumiu o caso.

 

Contudo, com a medicação aplicada diretamente na veia, Jacy sofreu uma reação alérgica grave (anafilaxia). Isaque sofreu privação de oxigênio por cerca de 10 minutos ainda no útero. O resultado foi uma paralisia cerebral, várias complicações como Bradicardia insuficiência renal águda e o intestino não funcionou por 18 dias a qual o pequeno Isaque foi submetido a uma cirurgia de intestino, após 5 dias da cirurgia precisou fazer uma reabordagem da cirurgia resultando na retirada de 13cm do cólon o qual estava necrosado, mais uma vez a falta de conhecimento de profissionais levou a um diagnóstico errado Isaque foi diagnoticado com megacólon congênito. Doença descartada apor meses por uma nova biópsia feita no pequeno príncipe. Isaque hoje usa uma bolsa de ileostomia e tem uma colostomia. Devido as cirurgias do intestino

 

O Cenário da Saúde: Erros Médicos e a Sobrecarga Profissional

O caso de Isaque levanta um debate urgente sobre a segurança do paciente no Brasil e, especificamente, no Paraná.

 

Dados Reais: De acordo com o Anuário da Segurança Assistencial Hospitalar do Brasil, estima-se que ocorram centenas de milhares de eventos adversos anualmente em hospitais brasileiros, muitos deles classificados como "evitáveis".

 

Fator Humano: Especialistas apontam que a exaustão e a sobrecarga de trabalho das equipes médicas são causas raiz de muitos erros de protocolo. Plantões extensos e o déficit de profissionais podem levar a falhas de julgamento que, na área da saúde, têm consequências irreversíveis.

 

No Paraná: O estado tem investido em núcleos de segurança do paciente, mas a adesão rígida aos protocolos de administração de medicamentos e manejo obstétrico ainda enfrenta barreiras na ponta do atendimento, especialmente em casos de urgência.

 

A Luta Diária e o Amparo Espiritual

A rotina da família hoje é marcada pela estrada e pela resiliência. Residindo em Santo Antônio do Sudoeste, a logística para o tratamento especializado é um desafio à parte. A cada 30 dias, eles percorrem centenas de quilômetros até Curitiba.

 

"Hoje, a nossa rotina é dividida entre Santo Antônio e as consultas frequentes no Hospital Pequeno Príncipe. É bem puxado, ficamos no internamento, vemos outras situações difíceis... Isaque tem um quadro neurológico complexo, com convulsões frequentes, mas seguimos lutando", conta Jacy.

 

Entre o uso de três medicações e cuidados constantes, Jacy encontra forças na espiritualidade. Para ela, o entendimento do "propósito divino" foi o que impediu um colapso emocional. Ela descreve esse processo como uma "lapidação" que a preparou para amar e cuidar de Isaque sem carregar o peso do ódio por aqueles que falharam tecnicamente.

 

Conclusão: A Importância do Protocolo

Este artigo é um lembrete de que, por trás de cada prontuário, existe uma vida e uma família. A história de Isaque reforça três pilares essenciais para o sistema de saúde:

 

A Escuta Ativa: O saber da paciente (especialmente quando ela é profissional da área) deve ser considerado pela equipe médica.

 

Segurança Medicamentosa: A administração de drogas intravenosas deve seguir rigorosamente as etapas de diluição e monitoramento.

 

Humanização do Erro: Reconhecer que o sistema falha por exaustão é o primeiro passo para criar barreiras de proteção que evitem que outras famílias passem pelo que Jacy enfrenta hoje.

 

A batalha de Isaque continua. E, enquanto a ciência busca caminhos para sua evolução neurológica, é o amor e a espiritualidade de sua família que garantem a ele a dignidade de uma vida plenamente amparada.

Fonte: releasesimprensa.com.br

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Jacy Ribeiro
@jaciara_ribeiro2